O ponteiro detido não marca horas,

mas marca silêncios.

Na parede descascada,

ele é testemunha do tempo que não passou,

ou talvez tenha passado demais.


Quem olha vê apenas um objeto quebrado,

mas dentro dele ainda ecoa o tique-taque

como um coração fantasma.

É o relógio de um instante congelado:

o beijo que não voltou,

a porta que nunca mais se abriu,

o suspiro guardado entre duas badaladas.


Ninguém o conserta.

E no entanto,

há uma estranha justiça em sua pausa:

se tudo no mundo corre,

alguém precisa parar.

E o relógio, fiel ao seu descanso,

permanece imóvel,

como se lembrasse a todos

que o tempo não é só aquilo que passa —

é também aquilo que espera.