Aqui vai meu improviso em forma de solo de palavras:
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No banco frio do metrô,
um guarda-chuva adormece,
como se tivesse perdido a pressa.
Não chove lá dentro,
mas ele guarda dentro das hastes
a memória das tempestades passadas:
gotas que não existem mais,
relâmpagos que só brilham na lembrança.
Passam pessoas,
apressadas, de olhos colados no celular.
Ninguém repara naquele objeto silencioso,
um viajante sem dono.
Mas o guarda-chuva sabe de algo:
a cidade sempre chove de novo.
E quando chover,
alguém vai abrir suas asas pretas
e caminhar sob a orquestra da água,
sem imaginar que aquele fiel escudo
já foi esquecido, já foi abandonado,
e ainda assim esperou —
paciente, dobrado, inteiro.
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