Esta é uma história sobre o verdadeiro teste de fogo de qualquer relacionamento moderno: não é a infidelidade, não é o dinheiro... é a tampa do creme dental.
O Crime
Eram duas da manhã. O quarto estava envolto naquele silêncio sagrado que só existe antes de alguém cometer um homicídio culposo. Rebeca entrou no banheiro, o corpo ainda quente sob a camisola de seda, os olhos semicerrados de sono.
Ela pegou a escova. Ela pegou o tubo. E então, ela viu.
Lá estava ela: a tampa. Ou melhor, a ausência dela. O tubo de pasta de dente estava escancarado, nu, com uma pequena gota de gel azul já endurecida na ponta, parecendo um pequeno nariz escorrendo de um boneco de neve triste.
O Confronto
Rebeca voltou para o quarto. Ela não acendeu a luz; ela apenas parou ao lado da cama, onde Bruno roncava com a paz de um homem que nunca sentiu o gosto de flúor ressecado.
— Bruno. — Ela sussurrou. Nada. — Bruno.
Ele deu um pulo, o coração a 180 batimentos por minuto.
— O quê? Fogo? Ladrão? O cachorro vomitou?
— É a tampa, Bruno. De novo.
Bruno soltou o ar, caindo de volta no travesseiro.
— Pelo amor de Deus, Becca. São duas da manhã. É um pedaço de plástico de dois centímetros.
— É um portal para o caos! — ela retrucou, subindo na cama e ficando de joelhos sobre ele. — Hoje é a tampa. Amanhã você deixa a porta da frente aberta. Depois de amanhã, estamos vivendo em uma anarquia total, comendo ratos e usando as cortinas como vestuário!
A Tensão "Cresce"
Bruno olhou para ela. A raiva deixava as bochechas de Rebeca rosadas, e a camisola de seda tinha escorregado levemente pelo ombro. A indignação era, estranhamente, a coisa mais sexy que ele tinha visto na semana.
— Sabe o que eu acho? — Bruno disse, a voz ficando mais grave, puxando-a pela cintura para mais perto. — Eu acho que você adora esse pequeno drama. Você gosta de me ver ser o "garoto mau" da higiene bucal.
Rebeca tentou manter o olhar severo, mas a proximidade estava sabotando sua fúria.
— Eu odeio pasta de dente endurecida, Bruno. É como lamber uma pedra de açúcar mentolada. É anti-higiênico. É... irritante.
— Então me pune. — Ele sorriu, desafiador. — Me obriga a colocar a tampa. Com as mãos amarradas, se precisar.
A Resolução (Ou Quase Isso)
O silêncio no quarto mudou de "guerra civil" para "clima de lua de mel" em três segundos. Rebeca inclinou-se, o nariz roçando o dele.
— Você é um idiota. — ela murmurou, já sem convicção.
— Sou um idiota que sabe onde você guarda a tampa reserva. — ele respondeu, puxando-a para um beijo que definitivamente não tinha gosto de pasta de dente seca.
No dia seguinte, a tampa continuava fora do tubo. Mas, estranhamente, ninguém reclamou até o café da manhã.
Moral da história: Às vezes, as pequenas irritações são apenas o preliminar para as grandes reconciliações.
Gostaria que eu escrevesse uma continuação para essa "guerra doméstica" ou prefere que eu explore outro objeto irritante?

0 Comentários
Sua opinião é muito importante